sábado, 20 de dezembro de 2008

das coisas que eu odeio

Tenho criado uma aversão toda especial por um certo tipo de gente que eu não sei definir muito bem, mas sei descrever aquilo que mais me incomoda: pessoas que não discutem. Bem, eu tenho o sério problema de gostar de discutir. Ok, meu Brasil, admitamos, eu sou uma chata, gosto de discordar e de criticar e de ver o que as pessoas vão achar disso e me dizer de volta. Ou, pelo menos, na maior parte do tempo. Muitas vezes não sou feliz no meu tom (arrogante/grossa/etc), mas sabe... ainda acho que há algo de bom no fato de as pessoas trocarem impressões, se dizerem coisas, e que seja, brigarem. Há certa dignidade, é o que eu penso, em tomar um lugar ou uma posição, seja lá qual for, embora de forma alguma eu ache que qualquer uma seja válida. MAS eu tenho me dado incrivelmente mal ao me relacionar (e ao me importar) com gente que é o inverso de mim. Que, se eu ofendo, se cala. Se eu brigo, não diz nada. Se eu sou babaca, julga em silêncio. Eu posso até ser uma idiota p.n.c. com certa frequência, mas por favor, jogue isso na minha cara e me deixe me explicar, dar minhas versões ou minhas desculpas esfarrapadas. O que eu odeio é o silêncio - um certo tipo de silêncio, que se não é resignação, é interrupção na comunicação. Ok, silêncio pode ser um tipo de comunicação (e um tipo que eu preciso aprender, pq tendo a falar sem parar e isso tampouco significa sempre comunicação), mas há silêncios funestos, que eu odeio, e com os quais eu, na minha tagarelice ansiosa, não sei lidar.

Ouvindo Carmen Consoli - Bonsai #1

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

sophie hunger

Procrastinar na internet é uma merda. Procrastinar no lastfm, youtube, ou qualquer coisa que envolva música é pior ainda porque de repente vc se depara com uma coisa que adora à primeira escuta e fica descontrol até fazer download e tudo o que vê pela frente. E fica escutando ao invés de escrever. E fica com as músicas na cabeça quando não está escutando.

Blame Sophie Hunger!

Ouvindo: NADA, juro, e com muita força de vontade. Mas com essa música aí embaixo na cabeça.


sábado, 8 de novembro de 2008

o pêndulo de foucault

Terminei de ler "O Pêndulo de Foucault" hoje - fato digno de nota porque o livro é excelente, então fica aqui a recomendação.
Bem, eu sou adepta do princípio "li até a vigésima página" e, como o nome sugere, eu espero que um livro me convença até a página 20 pra ver se continuo lendo ou não. No caso desse livro, uma vez passada a página 20, eu estava convencida de que valia a pena ler mas o fiz muito devagar até mais ou menos a página 60; depois disso o livro ficou totalmente excelente e viciante e eu simplesmente não conseguia deixá-lo de lado: procrastinava tanto lendo que isso quase acabou com a minha vida (hahahaha). De toda forma, nos últimos dias eu passei a um ritmo mais normal e menos desesperado de leitura e eu realmente me senti triste de ir chegando às últimas páginas - embora, obviamente, com a boa sensação de quando se termina um ótimo livro.
Não vou falar da trama aqui nem colocar trechos dele, em primeiro lugar porque eu não tenho talento suficiente pra fazer uma resenha literária e em segundo porque um trecho é sempre um fragmento, por conseguinte uma visão muitíssimo parcial e particular do livro; ok: isso não é necessariamente um problema, mas realmente não estou com vontade de fazer isso no caso desse livro. Acho que não gosto de fazê-lo no caso de livros que eu gosto muito.

Em tempo: não, o Fucô do título não tem a ver com nosso Fucô (aquele que gostamos tanto de citar com base em leituras de orelha e sem nos dignarmos a ler um livro inteiro)

Ou tem, vai saber.

Ouvindo Carmen Consoli - Sentivo L'odore

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

terça-feira, 4 de novembro de 2008

regrets

"don't ever let anyone ever say to you you shouldn't regret anything. Don't do that. Don't! You regret what you fucking want! Use that. Use that. Use that regret for anything, any way you want"

se magnolia já não fosse bom o suficiente, esse diálogo - e a aimee mann na trilha sonora - seriam o bastante para que eu gostasse do filme. "só não me arrependo do que não fiz" o caralho, no fundo todo mundo tem que lidar com as idiotices que faz. o que não quer dizer que se deva viver uma existência oprimida pela culpa, mas apenas que essa ideologia "uhu vida loka 100 comentários" (sic) é uma furada sem tamanho.

sem mais.

Ouvindo Camera Obscura - Tears for affairs

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

da série: monólogos inúteis

Um amigo meu uma vez me disse: "você é uma represa! Acumula raiva e de repente sai transbordando pra todo lado". Acho que isso é uma das coisas mais engraçadas e mais verdadeiras que ele já disse sobre mim, e bem... quem já me viu com raiva sabe como eu tendo a jogar minhas farpas pra todo lado por coisas aparentemente banais (para os outros). Eu não acumulo só raiva, mas também expectativas e às vezes opiniões - se eu ainda não te disse algo aparentemente sem sentido e sem contexto, um dia eu vou dizer. É que eu acumulo juízos de valor e de repente falo "olha, eu acho isso" - sendo que o timing do assunto já se foi a muito tempo e tal. Enfim, a segunda parte do parecer desse meu amigo era o fato de ele ser uma pessoa que sente ódio e eu sinto raiva: isso quer dizer que ele odeia por muito tempo, e eu tenho uma incapacidade crônica de sentir raiva depois de expressar minha fúria. A não ser que a pessoa seja realmente escrota e eu sinta nojo da cara dela e tal, eu nunca soube ficar "de mal" de ninguém. Isso me expõe a situações ridículas, do tipo pedir desculpas mais do que necessárias e, por sentimento de culpa, ser sempre o lado que dá o braço a torcer. Às vezes acho que isso é um defeito de formação (provavelmente decorrente do meu pai ter saído de casa e blablabla - OI EU ESTOU SENDO IRÔNICA - whatever). Talvez eu faça isso porque reprove mais atitudes do que pessoas - aprendi com titio weber a separar as esferas da vida social, pelo menos nesse sentido. De toda forma, o resto do mundo demora a compreender isso e eu tenho que ficar me explicando o tempo inteiro (oi, como se eu já não fizesse isso). Mas okei, talvez eu seja ofensiva. Na verdade, a depender do caso, eu sou cruel. Mas isso fica para outro monólogo, quando for o caso, porque sim, tô escrevendo tudo isso porque estou com raiva no momento e queria imaginar uma forma realmente racional de lidar com isso.

Ouvindo Stars - Look up