sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

I'm still jenny from the block OH WAIT

Eu gosto muito de giria de malaco. Eu acho que em francês, que é uma lingua tao formal, o contraste é engraçado de um jeito otimo. Dai cada vez que eu aprendo uma eu repito exaustivamente, a cada oportunidade. Também funciona para expressoes, como "se lécher les babines" (~ lamber o beiço).
A giria de malaco da vez é "tiekar" que sonoricamente é como "quartier" (=bairro) ao contràrio. Inverter as palavras (e nesse caso, mantendo o significado) é uma pràtica corrente em francês, mas foi meio que apropriada pela malacagem nos ultimos tempos. Entao dizer que vc é do tiekar é tipo dizer que vc é "from the block", em inglês. Ou seja, da malacagem. Como boa ZN que sou, isso foi como reencontrar minhas origens.

Ontem eu fui encontrar meu orientador. O segundo dado importante desse post é que professor na França é ultra mega formal, né. Nao tem essa de ser brother como no Brasil. Meu orientador é professor de filosofia, entao imaginem o equivalente velhoto de um "almofadinha". Sei que almofadinha é uma giria que ninguém usa mais, mas é a IMAGEM que eu tenho dos franceses filhinhos-de-papai. Eles sao aquela coisa picolé-de-chuchu, pq capacidade pra ser "playboy" - ou qualquer coisa com certa "atitude", mesmo no sentido pejorativo - eles nao tem muito, nao. Sim, eles sao frescos, é super verdade.

Mas enfim!

Eu sei que esse professor mora no mesmo bairro que eu. Tadinho, ele nem é filhinho de papai velhoto, mas usa polo por cima de camisa social = pedir pra ser chamado de almofadinha. Evocando o fato com meu namorado, que eu e o professor somos from the block, ele me avisou pra nao dizer isso na frente do prof. Ele conhece minha mania de repetir girias (né? é na cabeça dele que eu fico repetindo sem parar). Mas gente, minha lingua tava coçando. Dai o que meu prof faz durante a reuniao? Comenta que moramos no mesmo bairro! Claaaro que eu tive que adicionar POIS EH NEH SOMOS FROM THE BLOCK. Pq sou dessas.

Meu professor se limitou a uma reação nao verbal.

Esta:


uma fucking poker face que na minha opiniao pode querer dizer:

( ) WTF
( ) Três anos na França e essa menina ainda nao aprendeu francês
( ) Nem te frago, fi (nesse caso, ele é really from the block e me tirou bunito, né)

E é isso, essa é a minha vida! Don't be fool by the rocks that I got, hein.

domingo, 11 de dezembro de 2011

igualdade num mundo de desiguais ?

Mais um post sobre um filme... Devo estar me achando A critica de cinema, né.


Esses dias assisti "Entre os Muros da Escola", que é uma espécie de quase-documentàrio sobre a situaçao da educaçao francesa. Acho que o filme pretende denunciar a situaçao de professores mais ou menos despreparados diante de alunos desrespeitosos - um problema bem conhecido no Brasil, e que começa a dar bastante pano pra manga aqui na França. O filme mostra os problemas de um professor tentando ensinar a uma turma com problemas de disciplina, de atençao e de inserçao. Essa questao da inserçao de deve ao fato de que muitos alunos sao filhos de imigrantes e os problemas escolares podem ser mais ou menos associados ao fato de os pais nao falarem francês, ou ao fato de os alunos nao se sentirem franceses. Mas o filme nao aponta o dedo pra nada, nao tenta dar explicaçoes globais (inclusive um dos meninos cujos pais nao falam francês é um bom aluno). Ele soh mostra o quotidiano e as relaçoes professor-alunos, professor-professor, e professor-pais de alunos, deixando as interpretaçoes por conta de quem assiste.
O problema, a meu ver, é que o filme tenta mostrar, de um lado, um professor coitadinho, tentando tratar os alunos como iguais, e de outro, alunos imaturos que usam isso contra o proprio professor.
Enfim. Eu jah trabalhei como disciplinària aqui, e vendo o filme eu fiquei chocada pela forma como o professor permite que os alunos falem com ele ; ademais, ele, professor, deixa alguns alunos trocarem insultos entre si na sala de aula... algo que eu, que soh era disciplinària, jamais permitiria (ou jamais permitiria sem que, ao menos, rolasse uma sançao). Sem falar nessa coisa de falar com os alunos de igual pra igual - o que deu precedentes aos alunos de falarem com o professor como se ELE fosse um colega, de forma muito desrespeitosa.

Mas aqui eu tenho que me explicar. Sendo disciplinària, eu me sentia mal com vàrias coisas : eu nao sei como explicar isso de uma forma que nao soe pretenciosa OU caricatural, mas estudando sociologia, de certa forma, a gente estuda (e tenta "denunciar") os mecanismos de poder, disciplina e obediência da sociedade.... Eu disse que ia soar caricatural.... Mas enfim, sendo disciplinària, EU era parte desse mecanismo ; eu era responsàvel por manter a escola enquanto instituiçao de disciplina e de vigilância. E eu era responsàvel por sancionar os alunos que nao se enquadrassem nessa regra. Claro que a aplicaçao quotidiana da regra é relativa (eu posso ser mais tolerante que outras disciplinàrias, ou fazer vista grossa, etc). Mas eu era obrigada, na grande maioria das vezes, a aplicar regras com as quais eu nao concordava.
Mesmo achando legal e saudàvel que os alunos questionem as coisas, eu
nao podia deixa-los ir muito além de um certo limite pq eu sabia que eles podiam se aproveitar disso. E se aproveitam, né, ô bicho idiota esse tal de adolescente. O que eu quero dizer é que eu considero que a escola é uma instituiçao que quer formatar pessoas a se enquadrarem em um certo perfil - do bom aluno, obediente, que nao questiona demais - e que isso pode ser extremamente opressor pra outros alunos. Mas na pràtica, eu nao podia dar espaço demais pra essas coisas : primeiro, pq eu "tinha" que fazer "meu trabaho", e segundo, pq uma açao igualitària numa estrutura desigual nao vai necessariamente libertar as pessoas, a nao ser que seja uma açao revolucionària.
Eh isso que eu quis dizer sobre a critica ao professor que "fala aos alunos como se eles fossem seus iguais". A escola DEVE adotar formas de relaçao professor-aluno mais igualitàrias, e que rompam com o esteriotipo do professor como "alguém ensinando ao aluno o que ele ainda nao sabe" (o que subentende que soh hà um caminho para saber as coisas - aquilo que o professor ensina -, e que soh importa o que ele ensina). A escola deveria, também, valorisar outros tipos de alunos, aqueles que fogem do padrao disciplinado (e que sao rapidamente rotulados de "incapazes", "desviantes"). Isso implica uma revoluçao na estrutura escolar. E ai sim, na minha opiniao, professores e alunos poderiam se tratar de forma igualitària.
O que o professor do fime fez foi reproduzir todo o esquema escolar (eu falo, eu ensino, EU é que tenho algo a ensinar, vcs sentam calados e aprendem) e introduzir um diàlogo falsamente igualitàrio, que na verdade era um estratégia (de prender a atençao dos alunos e de ganhar a confiança deles). E o resultado foi bastante desastroso.
Nao quero dizer com isso que professores devem falar com alunos como se estes fossem cachorros, mas existe um problema de coerência ai; ou vc aceita outras formas de saber e de comportamento, vindo dos alunos (o que é muito dificil dentro da estrutura escolar atual), ou vc estabelece uma distância proporcional àquela entre o seu saber e a falta de saber deles. Eu acho que misturar as duas coisas nao dà, por mais que a intençao do professor do filme possa ter sido boa. Eh muito fàcil - como foi o caso do filme - esbravejar contra os alunos, contra os problemas dessa geraçao que nao respeita mais ninguém e dos pobres professores desarmados diante disso... BEM mais dificil é apontar os muitos erros da estrutura escolar, que reproduz relaçoes de poder e de opressão.
Como disciplinària, eu sei que eu reproduzia esse sistema. Mas quando vc està na frente de 30 alunos e que vc tem que mante-los calados, é vc ou eles. Nao sei se posso chamar isso de "aprendizado", mas depois de um tempo vc cria o hàbito de nunca mais acreditar na palavra das pessoas (especialmente nos exemplares adolescentes destas) e de terminar discussoes com "cala a boca e fica quieto". Shame on me, I know.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

The Reader e a banalidade do mal


Com alguns anos de atraso, finalmente assisti "The Reader". Gostei do filme e achei que ele deixa algumas coisas em aberto, o que é sempre interessante. Ele amou ela a vida inteira ou age por culpa (ou qualquer outro motivo)? Mas enfim, nao vou exatamente falar do filme aqui, mas aviso que pode haver spoilers (nunca falo sobre filmes aqui e nao sei como fazer isso de uma forma que nao estrague a trama pra quem ainda nao viu). Eu queria falar da forma como filme retrata a Hanna, especialmente durante o julgamento. Ela foi uma guarda nazista e o que faz ela ser condenada à prisao é o fato de ter fechado as portas de uma igreja onde dormiam algumas prisioneiras, enquanto havia um incêndio no local, causando por isso à morte da maioria delas. A resposta da Hanna é que as presas estavam sob responsabilidade dela; ela nao podia abrir a porta, pq ia ser o caos e ela ia perder o controle de suas prisioneiras. Em suas respostas, Hanna afirma que estava fazendo o que devia ser feito - seu trabalho - e parece nao entender bem pq é acusada de matar pessoas.

Essa forma de retratar um crime, como algo feito por alguém que apenas estava cumprindo seu dever, tem origem na tese da Hannah Arendt (nao confundir com a Hanna do filme) sobre a "banalidade do mal".
Hannah Arendt elaborou essa idéia no livro Eichmann em Jerusalém, a partir do processo do Eichmann, e a banalidade do mal acabou virando um conceito explicador do mal nas sociedades tecnocràticas : numa sociedade em que tudo é medido em termos de técnica, eficiência e eficàcia, as pessoas se acostumam a simplesmente cumprir ordens; nao hà nenhum tipo de reflexao moral sobre o teor e o fundamento dessas ordens. O Eichmann retratado pela Arendt é um funcionàrio-modelo, que cumpre ordens com eficiência e com um elevado sentido de "dever".
Hà dois problemas essenciais sobre essa "tese". O primeiro deles é que a Hannah Arendt jamais quis fazer da idéia de banalidade do mal uma tese, um conceito ou um principio.
O segundo é que Hannah Arendt compôs essa idéia através do processo do Eichmann, mas que ela nao acompanhou o processo inteiro. A parte que ela acompanhou foram os procedimentos de acusaçao, em que o Eichmann se mostrava apàtico, apagado, o que para a autora retratava um funcionàrio eficiente e pouco reflexivo. Bastante parecido com a Hanna da Kate Winslet, durante o julgamento.
Soh que, durante sua defesa - que a Arendt nao acompanou, repito - Eichmann se mostrou inteiramente diferente. Mais enérgico e eloquënte, bem diferente do homem descrito pela Hannah Arendt.
A partir desse "erro historico", criou-se todo um sistema de pensamento no qual a sociedade moderna é vista como um berço potencial da banalidade do mal. Na medida em que as pessoas produzem e reproduzem o mal sem se dar conta disso, qualquer um de nos pode ser o vetor desse mal. Este individuo moderno e tecnocrata pode ser eu, você e cada um de nos. O mal nao é mais visto como algo que pode ser identificado através do recurso à moral, pq essa moral pode ser, ela mesma, parte daquele mal sistêmico.

Enfim, no meio de tantas coisas que poderiam se ditas sobre The Reader, essa é a que me chamou atençao; ela reflete um problema real que a teoria social enfrenta, e a questao de esse problema ter sido fundado num "erro historico" é um pouco perturbador. Se a banalidade do mal é vista como chave de interpretaçao para o mal moderno, torna-se muito dificil fazer todo e qualquer julgamento de valor : eu nao posso apontar no outro um mal que ele nao produziu conscientemente, e que eu também poderia produzir pq sou parte desse mesmo sistema que o envolve.

Mas para além disso, a pergunta que fica é : uma boa filosofia pode ser feita a partir de uma historia equivocada?

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

da série "divagações sobre o nada"

Acho que a maioria - ou pelo menos boa parte - dos sobrenomes "ocidentais" (pq nao me arrisco a falar de mundo) surgiram da mesma forma: as pessoas, por alguma razão, se viram obrigadas a adotar um, e usaram a primeira coisa que veio na cabeça - do nome de uma àrvore a um apelido.

Quer dizer, os nobres adotavam o nome do lugar onde estavam as possessões territoriais deles, por isso aqui na França quando alguém se chama Fulano de TalLugar é quase certo que essa pessoa é nobre. Gosto de imaginar que isso começou pq o rei era tipo Silvio Santos e precisava saber da caravana de onde eram as pessoas de sua corte.

Bom, para os plebeus franceses os sobrenomes se tornaram obrigatorios no século XVI. O que eu acho divertido é que muitos sobrenomes vêem de apelidos originados de caracteristicas fisicas ou mesmo psicologicas da, digamos, "primeira pessoa da linhagem". No Brasil, eu tenho a impressão de que a maioria vêem de àrvores ou no màximo de profissoes. A gente nao vê muitos Zezinho ORuivo ou OLoiro ou essas coisas... E sempre que eu me deparo com um sobrenome do tipo por aqui, eu fico imaginando COMO era o tataravô dessa pessoa. Ok, Leroux (ORuivo) é fàcil, dã. Mas alguns sao muitos engraçados. Exemplos:

LE FORT ou LEFORT ("O Forte") - Fico imaginando o que seria um senhorzinho forte à la século 16. Obviamente, na minha imaginaçao, ele usa suspensorios e "mangas de camisa" coladjeenhas.

LAMOUREUX (pode ser "o apaixonado" ou "o amante") - Esse me deixa na duvida entre um bocoio e um amante latino.

JOLY ("bonito") - O famoso BONITAO DA BALA CHITA, ou em bom francês, beau gosse.

SAUVAGE ("Selvagem") - Quem pensou em Kaspar Hauser dà RT. O tataravô que iniciou essa linhagem era obviamente alguém com problemas de socialização.

LEPETIT ("Opequeno") - O anaozinho do vilarejo. Ou talvez "outra coisa" fosse pequena e, como vilarejo é vilarejo, todo mundo ficou sabendo. Paia, hein.

LEGROS ("Ogordo") - alguém que sofria muito bullying no século 16.

PODEVIN ("CopoDeVinho") - aquele cara que vivia nas tarbernas arrumando confusão.
Bom, ok, na verdade a expressão "pot-de-vin" em francês se refere a transaçoes ilicitas, tipo uma propina, mas eu prefiro a versao do tataravô tomando todas.

PARADIS ("Paraiso") - Pra quê vc apelidaria alguém de PARAISO se nao fosse pra jogar um caôzinho? Acho que em português seria Zezinho ColirioParaOsOlhos.


Etc etc etc... esses sao soh alguns exemplos, de sobrenomes que eu realmente vi. Diz a lenda que tem coisa bem pior que isso, mas enfim. Outra lista possivel seria com nomes que soam engraçados em português - o sobrenome de uma das minhas chefes era DACALOR e eu nunca consegui dizê-lo sem pensar WTF?!.

Agora imagina se no Brasil alguém resolve refazer o cadastro civil... SOUFODA seria o novo Silva e POPOZUDA o novo Souza. Certeza. *_*

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

the cryin' day

O dia de renovar minha autorizaçao de residência sempre foi meu dia de chorar. O drama jah faz parte do meu ser, mas ele piora ainda mais quando eu me vejo submetida a um exame de "boa imigrante". Eu me sinto uma vaca, um pedaço de carne a ser avaliado, pra que "eles" decidam se eu sou boa o suficiente pra ficar no pais deles. O que é especialmente degradante quando vc acha que o pais deles tà longe de ser là essas coisas, e pohan, se enxerguem.
Enfim, pra completar minha vida de maria do bairro, as pessoas do atendimento sao super grossas.

Dai o que rola? Eu começo a sentir uma mistura de raiva, degradaçao, vontade de dizer umas verdades na cara deles... e basta ouvir um "esse documento nao serve" dito com grosseria, que eu, numa atitude muito madura, abro a boca pra chorar.


Mas esse ano eu decidi que nao ia chorar. Chega. Eles nao merecem minhas làgrimas (diria Maria do Bairro, con mucha honra).

Fui na prefeitura hoje de tarde.
Primeiro, a disgrama da funcionària implica com minha foto. E pq?! Pq eu tava com uma echarpe. Nao, nao era na frente do rosto como uma burqa.
Era uma FUCKING echarpe no pescoço que nao tampava nada.
- "Mas moça, a foto da minha autorizaçao de residência do ano passado também tem uma echarpe, olha soh".
- "Ah mas esse ano eles nao querem mais. Vc vai ter que fazer outra".
Meu, se fuder. E eu, ainda por cima, acabei de gastar 5 euros pra
tirar essa foto hoje de manha. Mas ok, liguei o foda-se.

Ela checa meus documentos. Pra nao ter problemas, meu namorado me faz uma atestaçao de "prise en charge", que quer dizer que ele assegura minha sobrevivência por aqui. O que nao é verdade pq eu trabalho e isso é soh pra eles nao
encherem o raio do saco. A gente sempre fez assim, desde o final de 2009, pq a gente sabe que eles podem implicar com qualquer coisa (por exemplo, meu atestado de residência começa em janeiro e um dos meus contratos anteriores terminava em fevereiro. Ele ia ser renovado, mas eu nao tinha nenhum documento me dando certeza disso, e eles poderiam nao aceitar.) Eu sempre achei que um atestado assinado por ele seria mais garantido.
Mas dai, tcha-tchan, ela me pergunta: "Você tem um extrato de conta? Pra comprovar que ele te dà dinheiro todo mês".
Fudeu. Claro que ele nao me dà dinheiro.
Dai eu invento uma desculpa qualquer, digo que eu trabalho mas que também sou "prise en charge", enfim com certeza ela nao acreditou pq eu vou ter que voltar là soh em dezembro e levar todos os documentos de novo. Eu aguentei firme e nao chorei. Inclusive fui educada-cinica, perguntando coisas do tipo "senhora, posso saber a razao de pedirem me extrato de conta?" com uma vozinha finiiinha. Meu foda-se tava no 150%. Nem o fato de que eles tiraram essa "regra" do rabo me abalou (pq hello, eu faço o mesmo procedimento desde 2009). Nem o fato de ela afirmar que eu TINHA que saber - e estar prevenida - que eles iam pedir o meu extrato pq no computador secreto deles tava escrito que eles iam me pedir, e se tava escrito é pq CERTAMENTE eu jà estava prevenida. Nem o fato de eu ter planejado férias na Turquia na data em que ela me deu novo rendez-vous. Nem o fato de que quando eu perguntei o que aconteceria se eu marcasse uma data em janeiro - quando minha autorizaçao de residência estaria vencida - e se eu ia ter problemas pra receber meu salàrio, ela tenha dito que o problema era meu e nao dela.

Nao me abalei. Orgulhosa de mim mesma, liguei pro meu namorado pra avisar que sifu com as férias na Turquia e me dou conta de que minha autorizaçao de residência desse ano nao tava comigo. Volto no guichê, pergunto pra funcionària - vamos chamà-la de SORAYA -, ela disse que nao està com ela. Eu refaço o caminho até onde me dei conta que nao tinha o documento, nao encontro, volto no guichê de Soraya, esvazio minha bolsa, pergunto moça o que eu faço?. Soraya vira e diz que ELA SABE QUE ME DEU O DOCUMENTO e que POR ISSO NA ESTA COM ELA. Vontade de virar uma bifa. Eu saio, refaço o caminho, volto, pergunto pras pessoas no atendimento e...
começo a chorar.


Come on, era muito pro meu controle emocional. Mas tenho certeza que foi uma armaçao da virgenzinha de guadalupe (/maria do bairro) que gosta de me ver chorar, nao é possivel.

No fim das contas, um senhor do atendimento chegou e me entregou meu documento, dizendo, vejam bem "que ALGUEM deu pra ele e ele nao sabe quem é".
Normalmente eu nao sou de acusar as pessoas assim, mas foda-se a presunçao de inocência. Certeza que foi a Soraya.

Moral da historia?

Esse povo nem deixa a gente sofrer em Paris em paz.

P.s.: Fotos meramente ilustrativas. A fila da prefeitura de Paris é diboassa se comparada com umas outras que eu jah vi por ai.