quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

domingo, 12 de fevereiro de 2012

the danger of a single story


Vi esse video a muito tempo atràs, graças à Olévia. Tô revendo de novo pq acho que essa idéia de "single story" dà muito pano pra manga e eu queria tentar usa-la na minha dissertaçao (nem que fosse bem de leve), mas nao sei se vai rolar - nao dà pra simplesmente "xuxar o trem" là na meio, eu teria que elaborar isso muito bem e nao sei se vou ter tempo pra isso. Mas enfim né! Se eu pudesse dar um conselho, seria use o filtro solar assista esse video. Sério!



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

3 anos na França!

Hoje faz três anos que eu estou na França. Nao é a melhor das épocas pra se escrever um post sobre isso, pq com as ultimas estripulias eleitoralistas da direita francesa eu so tenho vontade de dizer Grandma take me home!.




Eu nunca tive ilusoes muito Disney acerca da França. Talvez eu tivesse sobre a Europa, essa coisa de conhecer o palco de revoluçoes, berço da civilizaçao ocidentalzzzzzzzROINC. Eu digo "talvez" pq a gente tende a romantizar o passado, pensar que a gente no fundo sempre pensou da mesma forma e queremos esquecer as partes mais feinhas, quando fizemos coisas que hoje achariamos uo. Entao eu acho que sublimei isso de ter pensado que a Europa é bacana, mas eu tenho bastante certeza que nunca tive isso pela França. Acho que é pq eu sempre odiei paga-pau da França, aquele povo que anda com boina-e-echarpe no verão tupiniquim. Minha relaçao hoje com a terra da frescura é diferente, mas por agora eu vou apenas contar como eu vim parar aqui.

No final de 2008 eu estava terminando minha graduaçao e tinha muita vontade de morar fora. Eu estava no limbo de nao ter vontade de tentar mestrado de cara e, ao mesmo tempo, eu tinha um projeto de estudos que envolvia o pensamento francês oitocentista. E eu nao falava necas de francês, ou seja, tinha uma otima desculpa pra morar fora durante o ano jà que nenhum cursinho de linguas se compara à vivência dela. Como qualquer pessoa sem paitrocinio, a melhor opçao era ser au pair.

Entao em fevereiro de 2009 eu fui parar em Compiègne, a cidade onde a Joana D'Arc foi presa (e isso é tudo o que vc precisa saber sobre Compiègne). Falando um francês sofrivel e cuidando de quatro crianças. Morando com uma familia "meio intelectual meio de esquerda" mas muito tradicional - pais dando safanoes nas kiança pq elas nao se portavam bem à mesa e coisas nesse nivel. Eles eram bacanas, mas... Sempre tem um "mas". Ser au pair é ruim, mesmo quando é bom. Eu acho, de verdade, que nao poderia ter achado uma familia melhor - eu era relativamente bem paga, e eles super me incentivaram a fazer mestrado e se viraram pra achar alguém quando eu fui aceita na faculdade (a principio eu tinha um contrato de um ano com eles e acabei ficando soh seis meses). Mas... eles nao eram minha familia. Mas... eu me sentia super mal sendo uma babà com diploma superior. Eu acho super vàlido ser au pair, mas eu sempre aviso isso : é ruim mesmo quando é bom.

Minha universidade era em Paris entao eu tive que procurar emprego e lugar pra morar por aqui. Trabalhei numa sorveteria - mas soh por um mês pq era "summer job" - , depois num restaurante (eu era tipo uma recepcionista), mas acabei sendo au pair de novo pq tava dificil arrumar lugar pra morar e meio que tive medo de nao dar conta do combo estudos + trabalho + contas pra pagar. Te contar que o medo nao é um bom conselheiro, soh fiquei três meses na familia e sai batendo a porta - a mae era loca loca loca, mas acima de tudo eu aprendi que eu nunca vou deixar as pessoas me tratarem como se eu fosse uma morta de fome do terceiro mundo. De certa forma eu me orgulho de ter peitado a mae em vàrias ocasioes por causa disso. Depois eu fui trabalhar como disciplinària num colégio, com adolescentes entre 11 e 15 anos. Sinceramente, hoje eu penso que eu dei muita sorte e que a mulher que me contratou foi muito com a minha cara (ou estava muito desesperada pra achar alguém), pq quando eu cheguei no colégio eu nao tinha um francês nivel "discutir com adolescente"- o que é bem diferente de "falar bem" pq envolve dar respostas ràpidas, entender girias, explicar regras pra quem nao tem nenhuma boa vontade de escuta-las. E separar brigas, confiscar celulares, expulsar as meninas do banheiro durante o intervalo, especialmente no inverno (elas ficam grudadas no aquecedor, espertinhas). Aprender isso na marra foi dificil, até pq ele sao malvados e desde que eu errava alguma coisa ele diziam que eu nao falava francês. Mas hoje eu acho que foi bom. Fiquei um ano e meio nesse colégio, nao tenho nenhuma saudade de ter que gritar pros alunos se enfileirarem pra entrar em sala ou de ter que manter uma sala (ou mais de uma) em silêncio nas "salas de permanência", que é onde eles iam durante os horàrios vagos com moizinha ou uma de minhas colegas tomando conta. Porém tenho uma certa saudade das "kianças". Tenho fé que algumas se tornarão pessoas realmente bacanas.

Me perdi no relato, né. Quando eu sai da familia louca eu vim morar com meu namorado "por um mês" - a gente nem estava junto a muito tempo e era fueda chegar chegando e acampando, né. Entao acertamos que eu ficaria um mês, mas eu fui ficando nos meses seguintes pq a coisa acabou dando certo, mas eu me mudei em janeiro e soh em setembro eu passei a morar oficialmente, sem essa coisa de "ok, fico mais um mês".

E no meio disso tudo, ufa, os estudos. Mas isso é outro assunto, pq envolve tanta coisa... Em resumo, envolve ter feito um curso teorico durante cinco anos e ter sempre visto a vida acadêmica como uma coisa natural, e depois mudar de idéia no meio do mestrado. E nao sei se existe vida para além da academia. Quem é que quer uma cientista social no mercado de trabalho? Ninguém, certo? Pois é, assunto longo e chato e deprimente, fica pra proxima.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

sifudê

Sàbado o ministro do interior francês disse que "as civilizaçoes nao se igualam" (ou algo do tipo, no sentido de que hà civilizaçoes superiores a outras).
Esse mesmo senhor jà disse que tinha que se fazer uma revisão do codigo penal pq os dados evidenciavam que os estrangeiros - e descendentes - cometem mais crimes que os franceses.
Esse cara é o mesmo que tà tocando o terror entre os estudantes estrangeiros, aumentando a renda minima a ser declarada pra conseguir um visto e impedindo que eles consigam visto de trabalho depois dos estudos. Eh a "fuga de cérebros", soh que ao contràrio: o Estado francês paga a formaçao dessas pessoas, e na hora em que elas poderiam retornar isso sob a forma de impostos, eles sao mandados embora.
Entre seus outros ministros, o Sarkozy também tem um outro senhor simpàtico sendo processado por racismo. Isso vindo de um presidente cuja incompetência é sem precedentes. De verdade, nem é pq eu tô muito puta, mas ele nao apenas é incompetente como ignorou solenemente todas as MUITAS manifestaçoes contra a reforma da previdência e passou o projeto por cima de todo mundo - dando, em outras palavras, uma banana pro povo.
Esse presidente tem chances de ser reeleito.
Pra aumentar essas chances, ele flerta - e a frase do ministro sobre as civilizaçoes é com certeza uma aproximaçao - com o eleitorado da extrema-direita, cuja candidata participou recentemente e um baile neonazista em Viena.
Neonazista.
Neo, nazista.
Essa candidata tem 20% de votos nas pesquisas, e 30% dos franceses declaram que poderia votar nela. Hà um tempo atràs, quando o pai dela era candidato, as estatisticas desse partido nao podiam ser levadas muito a sério pq os votos eram sub-declarados pq as pessoas costumam ter vergonha de declarar votar nele. Com ela no comando, existe uma tentativa de amenizar a imagem do partido, embora o fundo seja o mesmo - um racismo crasso.

Entao assim, eu vivo num pais onde quase 50% das pessoas votariam por esse tipo de coisa. Pq nao é mais de direita x esquerda que se trata, mas de considerar que o fato de a França ter fudido meio mundo no passado e jogado merda no ventilador em quatro continentes é soh um detalhe historico, e a culpa nao é deles - eles nao tem nada a ver com isso, soh querem proteger o pais deles desses estrangeiros bàrbaros que vem pilhar o Estado. Pq, como diria o Le Pen, ele nao tem nada contra os àrabes - ele soh nao gosta dos àrabes na França.

Eu nao conheço esse eleitorado de direita - eu estou meio que cercada por pessoas de esquerda, da minha faculdade ao trabalho (no lycée onde eu trabalho 90% dos alunos sao imigrantes ou descendentes) e no circulo social. Mas é assustador pensar que pelo menos um quarto dos franceses concorda com isso - sim, eu disse 1/4, e nao, nao é burrice matemàtica, é que 50% dos votantes nao é equivalente a 1/2 da populaçao quando o voto nao é obrigatorio e a taxa de abstençao aqui é super alta. Alguns se abstêm por protesto, outros por conivência, mas pelo menos 1/4 tà ali marcando presença pra dizer que nao ligam pra um discurso nazista jà que a França deve ser dos franceses. Me dà uma sensaçao de insegurança que nenhuma graminha-verde-e-velhinhos-tomando-cerveja-sem-alcool do mundo pode compensar.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

cabelos cacheados: alguns sites uteis

Jà tem um tempo que eu queria falar de cabelos, mas tem TANTA coisa pra falar que eu fico adiando. Eu adoro esse assunto, adoro fuçar coisas na internet pra descobrir como cuidar dos meus cachos... E minha frustraçao eh nao conseguir confiar em nenhum cabeleireiro (é assim mesmo que escreve?!) pq convenhamos, a maioria deles NAO SABE cuidar de cabelos cacheados. Pq né, tem aquela coisa de cabelo liso ser padrão - sim, eu acho que existe uma certa "ditadura do cabelo liso", mas ressalto que acho muito pior do Brasil, que é um pais mestiço e onde a maioria das pessoas tem cabelo cacheado. Pq aqui ninguém nunca me perguntou "mas porquê vc nao faz progressiva?" como se fosse a coisa mais normal do mundo. No Brasil é jà ouvi isso demais. Ora bolas, pq vc nao bota silicone na bunda? Pq a logica é a mesma né, tenho cabelo cacheado logo devo fazer progressiva = tenho bunda logo devo botar silicone. A relação de causalidade é totalmente imbecil.
Desculpem pelo adjetivo hostil, mas vejam, eu tenho opiniões um tanto fortes sobre isso. Eu acho racismo alisar o cabelo. Nao que todo mundo que alisa seja racista, mas por quê existe um padrão estético racista que associa o bonito ao branco e o feio ao negro. Esse post da Lola Aronovich é excelente, aliàs acho que ela acerta muito a mão quando fala de racismo e da forma como o que a gente acha que é "gosto pessoal" pode esconder um leque enorme de preconceitos que a gente interioriza pela midia e pelos padrões dominantes.
Entao, reformulando, nao acho que todo mundo que alisa o cabelo seja racista de uma forma "consciente", mas eu acho que se vc diz que "acha bonito cabelo liso e isso é apenas, unicamente, o seu gosto pessoal" vc està equivocado. Cada um faz o que bem entender com o proprio cabelo, mas é necessàrio que isso seja um ato mais reflexivo pq nossas representaçoespessoais tem muito de social.
Eu nao alisaria meu cabelo, hoje, pq eu amo meu cabelo, mas tb pq eu acho que eu estaria colaborando conscientemente com uma ordem racista. Estaria sendo, no minimo, conivente. Nem sempre eu pensei assim. Eu jà botei quimica - uma que era considerada a mais fraca - e me arrependi pq ficou uma b***, mas tb pq eu vi que eu ficaria presa a um salão de beleza. Tem gente que diz que alisa pq é pràtico. Sério que é pratico ter que dar um jeito na raiz a cada quatro meses? Pq assim, se de repente vc muda prum lugar onde isso nao existe, ou é mais caro... Eu pensava nisso tudo pq hà muito tempo eu tinha vontade de morar fora. E pra mim nao era nada pràtico depender da existência de um produto/de um salão/ etc.

Eh verdade que cabelo cacheado dà trabalho, mas pessoalmente eu gosto muito de saber mais sobre o meu cabelo e aprender a cuidar dele. Cabelo cacheado tem vontade propria, sim, mas também te dà em dobro o que vc dà pra ele - se vc cuida direitinho, ele fica otimo, mas se maltrata...
Eu descobri muita coisa nesse site que é "a Biblia" dos cabelos cacheados:

naturallycurly.com

Tem umas coisas que sao meio em tom "auto-ajuda", tipo "your curls are gorgeous", mas é preciso ter em mente que uma parte do publico-alvo desse site sao pessoas que alisaram o cabelo a vida inteira pq odiavam o fato de ter cabelo cacheado ou crespo. E que isso tem a ver com aceitaçao... principalmente pq o processo de deixar o cabelo natural crescer é particularmente horroroso: aquela raiz crescendo diferente das pontas é a visão do caos. Sem falar que até o cabelo começar a responder aos cuidados, depois de tanto tempo de quimica, pode ser um processo lento. Eu acho que é por isso que existe esse tom auto-ajuda.

Uma das técnicas que mudaram a minha vida (sério, hahaha) é lavar o cabelo com condicionador e nao mais com shampoo. Tà explicado aqui:

Ressaltando que nao serve para todos os cabelos. Pro meu foi otimo.

Nesse site existe uma "classificaçao" de cada tipo de cacho, pra que vc possa procurar coisas especificas para os seu tipo de cabelo. Existem avaliaçoes de produtos que sao dadas pelas usuàrias do site, e vc pode procurar os produtos de acordo com a forma como ele foi avaliado por cada "tipo de cabelo". O que eu estou descobrindo (sim, ainda, e a gente pode se perder no meio de tanta informaçao) é que as formas dos cachos nao sao tao importante quanto a textura e a porosidade. Meus cabelos, por exemplo, têm cachos entre os tipos 3b e 3c, mas sao finos - entao eu preciso de tratamentos mais voltados para cabelos finos, pq meu cabelo tende a encher. Eu comprei um produto muito bem avaliado pelos cachos do meu tipo, mas ele nao funcionou muito bem pq eu nao levei em consideraçao a textura. Esse site explica um pouco isso tudo:


Aparentemente meu cabelo precisa de proteina. Na verdade essas coisas deixam a gente um pouco obsessiva com lista de ingredientes de produtos. Eu nao tenho muita idéia de como saber o quê é proteina (bom pro meu cabelo), e o que é sulfato (ruim para os cabelos), silicone, etc... Mas tem um site em que vc joga o nome do ingrediente no produto e ele te diz a funçao dele, uma beleza:


Claro que ninguém precisa chegar nesse nivel de obsessao. Pra mim isso é uma forma fascinante de procrastinaçao, além de ser util pras minhas "gorgeous curls" hahaha.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

da série: Faye Valentine

Tà fazendo um ano que a gente adotou a Faye! A gente foi busca-la na Sociedade Protetora dos Animais, e ela começou a ronronar quando a gente chegou perto da gaiola dela... Nao resistimos a tanto charme. Bom, depois a gente viu que ela realmente ronrona muito (até quando eu converso com ela, ela ronrona!), mas prefiro acreditar que é porque a gente é especial hahaha. Mas na época da adoçao, apesar de ter esse lado de gostar de carinho, ela era tb bem medrosa e muito selvagem -talvez por ter sido maltratada, mas a gente nao conhece o passado dela. Outro dia achamos os papéis da adoçao e entre os "avisos" tava escrito: "[gato] a educar; risco de arranhoes e danos materiais" hahaha!
Hoje ela nem parece mais a gatinha que vivia se escondendo de medo e que arranhava como quem dà bom dia. Ela foi ficando muito mais carinhosa, embora pra vir no colo tenha que ser do jeito DELA - quando ela quer, obviamente. E nao pode ser de qualquer jeito: ela soh vem no meu colo se eu estiver sentada na cama com as pernas esticadas - o que eu faço quando estou lendo algo no pc. Dai, quando ela quer colo, ela pede: vem do meu lado miar, ou coloca as patinhas em cima da minha perna pra eu tirar o pc de là, ou tenta vir toda desengonçada por cima do pc mesmo. Me disseram que pedir colo é coisa mais de cachorro do que de gato, e eu acho que ela tem alguns transtornos de personalidade. Quando ela quer acordar a gente, miando insistentemente, às vezes ela solta uns miados que soam mais como au-au (juro!). E de vez em quando, quando quer colo, ela vem "correndo" quando vê que eu coloquei o pc de lado e que a perna està livre, haha.


Outro indicio de problema de personalidade: no caso dessa foto, a reaçao dela quando a gente chega em casa parece mais com a do cachorro do que com a do gato... Ela fica miando atràs da porta, e quando a gente abre, primeiro ela faz charminho (ela é um gato, final de contas) mas depois volta miando e pedindo carinho.



Faye, vc é nosso gato preferido em todo o mundo e terà sempre privilégios de filhote mais velho, no caso a gente venha a ter outro gato, um cachorro, ou eventualmente um humano -este caso està bem longe de acontecer, de todo jeito.