sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

la usurpadora... yo!

Tem gente que nao acredita quando eu falo que minha vida é uma novela mexicana. Mas é sério! Depois de sofrer mais que a Maria do Bairro com a prefeitura de policia, agora o roteiro mudou.
Soh que primeiro eu tenho que explicar o contexto, entao senta que là vem a historia:


Eu trabalho desde setembro como "assistente" (~secretària) de uma assistente social que é cega. Vàrios documentos que ela recebe nao estao em braile, entao eu leio pra ela, e também a ajudo quando ela precisa escrever alguma coisa - embora ela seja super autônoma e o pc dela tenha sintetizador vocal. Tem vàrias coisas que ela escreve sozinha, principalmente notas pessoais que ninguém mais vai ler; quando sao cartas, ela pede pr'eu ver se tem erros, e quando ela precisa fazer relatorios ela prefere me ditar do que escrever sozinha (cada um tem seu processo de escrita né, tem gente que nao suporta escrever diretamente no pc). Enfim, fora essas atividades de leitura/ escrita, eu também ajudo a calcular ajudas sociais. Trabalhamos numa escola profissionalizante de ensino médio e alguns alunos podem ter ajuda com os custos do transporte, da cantina, etc. Mesmo que o Sarkozy tenha reduzido drasticamente essa ajuda, ela ainda existe. Ela recebe alunos que tem algum tipo de problema (social, familiar, etc) e embora eu nao esteja presente nesse momento eu obviamente fico sabendo dos casos, jah que ajudo ela a escrever os relatorios e etc. Quando ela falta e algum aluno vai procurà-la, acontece de às vezes eles se confiarem a mim, mesmo sabendo que eu nao sou a assistente social. Eu nao dou nenhum conselho nem tomo nenhuma providência séria, apenas tomo nota pra poder contar depois pra minha chefe, que vai depois convocar o aluno pra saber melhor o que està acontecendo. Enfim, minha chefe nunca pareceu ser contra isso. Acontece que ela precisou fazer uma operaçao e se ausentar por um mês e meio, ela volta no começo de fevereiro. Até là, eu tenho cumprido meus horàrios mesmo se nao tem muita coisa pra fazer - algumas coisas administrativas eu posso adiantar, mas outras, como os relatorios, eu nao estou habilitada a fazer. Alguns alunos foram me ver, mas bem poucos. Acontece que ontem veio uma menina cujo caso é bem grots. Hà vàrios casos grots, mas o dela é o pior de todos. Nao vou dar os detalhes aqui, eu juro que nao é fofoca pela metade (que eu acho abominàààvel!), mas é que é meio anti-ético contar isso num blog.
Ontem ela foi me ver pra me contar que tinha faltado no estàgio obrigatorio e que ela nao queria mais voltar pra casa. Ela disse que nao se sente bem em casa e que nao adianta anda ir ao estàgio se ela nao està bem. Liguei pro estàgio pra justificar a falta dela, mas fora isso ela insistia que nao ia voltar pra casa e ia dormir na rua. O que eu podia fazer? Fiquei meio desesperada, sério. Liguei pro enfermeiro escolar, pq ele pode eventualmente tomar providências (os tais relatorios) e, ora bolas, pq ele é um profissional e sabe lidar com situaçoes assim. Ele chegou à tarde, mas a menina nao quis contar muita coisa pra ele. Eu contei em off - eu sei que existe o "segredo profissional", mas eu estava sozinha e precisava de conselhos - mas como nao foi ela mesma que contou, ele nao poderia fazer muita coisa. Ele me aconselhou de ligar pra uma instância superior, tipo a chefe das assistentes sociais escolares. Liguei e contei o caso todo. Dai a muher ficou mais preocupada com o fato de EU estar trabalhando no escritorio da minha chefe ausente, do que com o caso da menina! O caso da menina, que tava ameaçando DORMIR NA RUA e é menor de idade, ela resolver rapidinho: nao podemos mandar assistentes sociais pra vcs, se vira nos 30 ai com o enfermeiro. Mas o meu caso, nossa, que absurdo que eu estava recebendo alunos!! Disse pra ela que os alunos sabem que eu nao sou a assistente social, e que isso de eles irem ao escritorio era muito pontual. Mas ela ficou cabreira, ligou pro enfermeiro pra que ele faça o relatorio sobre o caso da menina, e claro, pra comentar que nao era normal o que eu estava fazendo, sobretudo pq eu ficava sabendo de casos "confidenciais". O enfermeiro, super charmosao aliàs, veio me ver e me aconselhou a nao receber mais alunos - nao que ele achasse errado, aliàs ele disse que eu agi bem no caso dessa menina, mas pq isso podia dar problema pro meu lado. Eu poderia ser acusada de me passar pela assistente social, e eu poderia ser condenada por usurpaçao de cargo!

OMFG!

Osso, hein. Ia ser dificil uma coisa tao séria acontecer, mas a palavra "usurpadora" ficou ecoando na minha cabeça. Fui junto com o enfermeiro conversar com o diretor da escola sobre "minha situaçao", e ele meio que tava se lixando pro que a chefona das assistentes sociais estava pensando. Ele disse que poderia eventualmente me repreender se eu soubesse do que acontecia com a menina e nao tivesse feito nada, o que nao foi o caso. E perguntou pro enfermeiro se a tal chefona tava sabendo que minha chefe é cega e eu eventualmente tenho orelhas e vou ficar sabendo dos casos, ora bolas. Isso tranquilizou todo mundo, inclusive o enfermeiro que tava preocupado com o que poderia acontecer.
No final das contas eu fui embora sem saber direito o que aconteceu com a menina, pq o enfermeiro fez um reatorio pra Brigada de Menores mas ainda nao tinha uma resposta concreta.
Hoje minha chefe ligou. Como ela tinha operado, eu tava esperando ela fazer contato primeiro. Contei o caso e ela ficou puta com a chefona. Realmente é idiotice, mas enfim, também é verdade que eu nao sou habilitada, e eu nao quero que o meu fique na reta. Agora nao vou mais receber alunos enquanto ela estivera usente, o que quer dizer que eu tenho ainda menos coisa pra fazer do que antes. Mas enfim, eu perguntei pro diretor o que eu podia fazer e ele disse "nada", entao agora eu estou legitimamente fazendo nada de 09h30 às 14h.

Pra ler ouvindo:

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

de raps e estrangeiros

Um dos piores vicios dos maus escritores é supor que o leitor sabe perfeitamente do que ele està falando. Eu tenho uma tendência enorme a escrever coisas cheias de a priori's e soh depois de publicar o ultimo post é que eu fui reparar algumas coisas: tipo a associaçao feita entre estrangeiros e rap. Algo que faz sentido na minha cabeça, mas que eu joguei no texto de um jeito bem desleixado. Ficou parecendo que soh estrangeiros fazem rap. Pior, ficou parecendo que os caras do clipe são estrangeiros. E eu sou a primeira a achar absurdo a insistência francesa - imagino que em outros lugares tb, mas soh conheço a França - de querer colocar os imigrantes e descendentes no lugar deles: o lugar de origem, que não é a França. "Oficialmente" eles nao fazem isso, pq a Republica Francesa nao diferencia seus cidadãos de acordo com cor, a ethnia ou a origem (meu koo que nao diferencia, mas esse é o discurso em que eles querem acreditar). Mas os descendentes de imigrantes - nascidos na França, e portanto cidadaos franceses - são muitas vezes vistos e tratados como estrangeiros. Sabe quando no Brasil a gente chama o cara de "turco" pq o pai dele é daquelas bandas, mas apesar do apelido, pra gente, ele é brasileiro? Aqui esse cara é considerado turco, mesmo tendo nascido aqui (ou marroquino, ou whatever)**. Muitas vezes eles é que reivindicam isso - é o caso dos membros do grupo de rap que eu postei, e foi por isso que associei eles a "estrangeiros" - mas eles nasceram na França. Sao franceses, e nao "estrangeiros" - ademais, uma reivindicaçao identitària nao anula necessariamente outra, e eles podem muito bem se sentir franceses TAMBEM. A denuncia da musica que eu postei - e nao precisa saber francês pra entender, a mensagem é bem visual - é que existe uma "cidadania de segunda classe" reservada aos imigrantes e seus descendentes; ele nao estaria protestando contra isso se nao se sentisse no direito, enquanto francês, de ter oportunidades de vida mais igualitàrias.

** Claro que isso depende do pais de onde o cara é. Europeus hoje sao muito mais facilmente assimilàveis do que os descendentes de àrabes. Os asiàticos ficam num limbo que eu nao consigo identificar muito bem. O mais engraçado é que hoje existe todo um arsenal de argumentos culturalistas pra justificar o racismo e/ou a hostilidade com os àrabes: eles sao de cultura musulmana, incompativel com a matriz francesa, de tradiçao catolica. Dai quando vc lê relatos sobre a imigraçao polonesa (acho que em fins do séc XIX/ inicio do XX), acha os seguintes argumentos: mas os poloneses sao catolicos demais, a França é laica! Impossivel! - Ou seja, os mesmos argumentos culturalistas, soh que com o senso invertido. Eles gostam de se dizer laicos, mas quando convém eles podem ser bem catolicos.

Enfim, nao quero dizer que a historia se repetirà e que os musulmanos serao assimilados como os europeus mas esse tipo de coisa é instrutivo, especialmente pq algumas pessoas aqui parecem pensar que os europeus foram assimilados imediatamente e que os musulmanos é que sao os encrenqueiros da historia. Belgas, italianos, poloneses, todos eles foram alvo no passado da furia dos operàrios franceses que os acusavam de roubar empregos.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

rap francês, oh oui!

Jà disse por aqui que adoro as expressoes estrangeiras do francês, também jah comentei que adoro giria de malaco. Pra juntar as duas coisas - estrangeiros e malacos -, um pouco de rap francês. Adoro essa musica! Eh meio antiga mas é clàssica.



Também adoro o fato de ela quebrar TODOS os clichês sobre a França. A França é isso do clipe, gente. Claro que nao é soh isso, assim como também nao é SOH Champs Elysées - filmes do Godard - conversas intelectuais em cafés. Aliàs, vàrios franceses que eu conheço nem conhecem Godard direito; soh pra comparar com o Brasil, sabe o Cinema Novo e o Glauber Rocha? Eh super legal e tal, pras pessoas que gostam de cinema é um referencial essencial, mas nao é todo mundo que conhece, nao é? Entao.

Eu demorei a admitir, principalmente pra mim mesma, que eu gosto da França. Em grande parte pq eu odeio paga-pau da França e odeio essa visão romântica (e falsa) que se vende em muitos lugares, principalmente no Brasil. Algo mais ou menos assim :

(acrescentem o livro do Camus debaixo do braço)

A França é muito mais interessante do que isso, e uma das coisas interessantes é a dinâmica cultural da qual as migrações fazem parte.
Claro que em relação à imigração tem coisa paia também, as discriminações, os preconceitos, as reações de direita, mas isso é coisa da França eXcrota que eu odeio - como eu também jah disse, um dia HEY de conseguir me explicar sobre essa relaçao de amor e odio. Um dia.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

mais do mesmo (natal)

Contando mais um pouco sobre o meu natal, além do fato de que nele nao tem JC e sua banda : passei o natal em Toulouse, na casa dos pais do meu namorado, e trouxemos Faye Valentine e cuia. Demos calmante pra ela, pq era a primeira vez que ela saia de casa desde que a adotamos, e correu tudo bem. Ela ficou soh um pouco grogue, mas nao dormiu, e chegando aqui começou a farejar tudo o que encontrava na frente pra ver de colé da casa. Aprendeu mais sobre o funcionamento das portas, jah que no nosso pequeno apê elas soh existem no banheiro, e aprendeu que dà pra empurrà-las quando elas estao soh encostadas. E ela nunca curtiu muito portas fechadas, là em Peres quando alguém tomava banho ela ficava miando ameaçadoramente na porta, quando a gente saia do banho ela sotava um "miau" - que deve querer dizer "seu bobão!" - e saia correndo. Aqui em Toulouse, nos fechamos a porta do corredor mas vira e mexe alguém esquece, e là vai Faye desafiar a autoridade materna (leia-se, a minha) e se aventurar nos outros quartos. Acho que ela està bem à vontade, especialmente se levarmos em consideraçao que ela agora ocupa espaçosamente uma poltrona na sala, tipo, soh pra ela. Mas acho que ela tà com saudade de casa: eu achei que ela ia destestar a gaiola de transporte depois que descobrisse pra que servia, mas pasmem, de vez em quando ela entra sozinha dentro e fica là. Em tempos felinos, 10 dias de viagem deve ser muita coisa. Quer dizer, vamos ver se ela entra sozinha na gaiola na hora de voltar.
Assuntos felinos à parte, vamos falar de coisa boa? Tipo... presentes! Eu adoro o processo de comprar presentes, mas nao sou muito criativa pq acabo sempre dando livros. O que nao deixa de ser legal (quer dizer, eu acho, pq adoro livros), mas às vezes é meio repetitivo. Mas eu ganhei quase que soh livros e fiquei bem feliz.
A coisa mais legal foi que o irmao do meu namorado me deu a trilogia do Senhor dos Anéis de presente. Nao que eu seja fã do Senhor dos Anéis, eu nunca li os livros mas quando aos filmes, eu nao curto muito nao. O irmao em questao é que é tipo super fã do Tolkien, dai um dia eu disse que nao tinha visto "O Retorno do Rei" e ele chamou pra ver na casa dele. Eu dei altas risadas em momentos que ele curtia muito, o que pra ele era uma heresia, mas ele é tao legal que isso virou piada interna entre a gente. Dai eu digo pra ele que "There's only one Return, and it ain't of the King, it's of the Jedi!", e provocaçoes do tipo. Enfim, ele me deu a trilogia, e eu dei pra ele um boneco do Yoda!! Sem saber que ele ia me dar os livros nem nada, entao ficou bem engraçado. Com direito a um pequeno climão, pq depois dessa troca de presentes o pai deu pra ele um livro sobre Stars Wars e dai ficou pensando que ele nao gostava, ele teve que explicar que era piada comigo mas que gostava sim.
O pai do meu namorado é um desses "homens de letras à moda antiga" e me deu um livro usado dele. Ele ficou super sem graça e eu tive que explicar que amei o gesto! Eu AMO coisa usada, e o fato de saber que ele ama os livros dele e mesmo assim me deu um deles me fez gostar mais ainda.
Outro presente que eu gostei muito veio do irmao mais novo do meu namorado, que nao gosta de livros (felizmente eu evitei a bola fora e eu dei outra coisa pra ele). Mas ele me deu um livro, e foi a primeira vez na vida que ele dava um livro pra alguém! Eu achei super legal.
Também ganhei um t-shirt dos All Blacks do meu namorado, o que foi um gesto nobre da parte dele pq na final da Copa do Mundo de Rugby eu torci pra Nova-Zelândia contra a França. Mas tipo torci MUITO. Enchi muito os franceses. A ponto de as palavras "me arrependi de ter te mostrado o rugby" terem saido da boca dele. Mas era mais forte do que eu, novas paixoes sao sempre intensas.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

natal nao é soh zezus


Eu nao tenho religião. Costumo me definir como agnostica, embora nos ultimos tempos eu me identifique mais com a "tendência" ateista do que com a teista do agnosticismo. Pois é, até pra isso segue-se trendies. Mas enfim, eu também nao sou anti-religiosa. Embora certos casos me dêem nos nervos, mas este nao é o assunto do post.
Mencionei o fato de nao ser anti-religiosa pq tem me irritado deveras essa mania cristã de querer monopolizar o natal. Tipo que pra algumas pessoas natal = nascimento de jesus, e vc soh tem direito de comemorar o natal se acreditar em JC e sua banda.
Bom, pra começar, este artigo é deveras instrutivo. Natal NAO EH nascimento de Jesus, quer dizer, ao menos nao é a data correta. Eh soh uma convençao que colaram por cima de uma festa profana - e detalhe complementar, hà vàrias outras festas de outras divindades comemoradas no dia do natal.
Hà também o fato de as pessoas gostarem de se reunir em familia, e o natal é uma otima desculpa pra isso. Eh o caso da familia do meu namorado, que nao apenas nao é religiosa (acho que sao todos ateus, mas nao tenho certeza), como também vem de criaçao musulmana. Ou seja, nada a ver com zezus. Mas eles curtem jantar todos juntos no natal e até montar àrvore (por puro gosto pelo "exotismo" dos costumes nativos, acho eu) e dar presentes. Pois é, cristoes (sic) com mania de monopolio natalino, deal with it.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

de prefeituras e ideologias


No ultimo capitulo, Soraya tentava impedir nossa pobre Maria do Bairro de conseguir renovar sua atestaçao de residência, tendo chegado ao extremo de tentar rouba-la descaradamente!

**

Entao, meu novo encontro com o purgatorio, digo, com a prefeitura de policia era hoje. Correu tudo super bem, apesar do meu desespero de ontem. Fiquei correndo atràs de documentos que eu nao tinha ainda, seja por distraçao, seja por ser da roça. Porque eu sou muito da roça. Soraya tinha escrito que eu precisava de uma atestaçao de presença na universidade, e como esse ano eu tenho SOH a dissertaçao (pros franceses eu sou "repetente", sério) eu tive que pedir ao meu professor almofadinha uma declaraçao escrita. Pedi isso na nossa ultima reuniao, ele perguntou "mas vc precisa disso PRA AGORA?" e eu "nao, pra agora nao". Isso foi quinta passada gente, soh depois me dei conta do quanto eu tinha sido da roça. E nao, eu nao me dei conta no dia seguinte, sexta, pq eu vi o prof de novo numa palestra. Me passou pela cabeça mencionar que eu precisava do treco pra essa semana, mas eu fiquei com VERGONHA pq tinha muita gente em torno dele. Da roça. Soh fui desconfiar que talvez eu tivesse interpretado mal a pergunta dele - "vc precisa disso PRA AGORA?" - là pelo sàbado à noite, quando eu percebi que talvez ele nao fosse advinhar que "pra agora nao" queria dizer "pra esse fim-de-semana, por favor". Dai mandei um email pra ele no domingo, cheio de mea-culpa. Ele me mandou a declaraçao na segunda, mas nao pôde assinar. Sabe o que eu adoro em professor de filosofia? O fato de eles nao terem nenhuma noçao do mundo real. Meu professor diz que ele nao podia assinar, mas que qualquer coisa eu poderia dizer às autoridades (sic) que eles poderiam ligar pra ele. E me deu o celular dele. Gente, é muito amor. Chega a ser tocante alguém tao inocente assim.
Mas enfim, como eu sou from the block (ha ha!) eu liguei pra uma doutoranda que me co-orienta e ela arrumou alguém pra me mandar a assinatura do professor por scanner. Dai eu fiz uma bricolagem dos documentos e, com uma boa impressora em cores, ficou como um original.

Voltando ao assunto, Soraya tinha me pedido essa atestaçao de presença + certificado de inscriçao + um documento dizendo a minha carga horaria, disciplinas, etc. O normal sempre foi SOH o certificado de inscriçao, mas enfim, como constava que eu tinha que apresentar os outros, eu fiquei com medo de eles implicarem. Mas advinha quantos documentos me pediram hoje... Soh o certificado. Ou seja, a feladaputa da mulher me pediu documentosss A MAIS soh pra atazanar minha vida.
A mesma coisa pra atestaçao de recursos, na lista que ela tinha dado constava que eu precisava apresentar o meu contrato E a "prise en charge" do meu namorado. O que complicava a vida por causa da historia de que ele nao me dà dinheiro e tal, mas nesse caso eu sabia que era abusivo me pedirem duas coisas pq o meu contrato bastava pra atestar que eu nao ia aumentar o numero de mendigos na rua. Mas a gente (quer dizer, meu namorado) refez a atestaçao de prise en charge mesmo assim, pq nunca se sabe. E pà, nem pediram.

Beleza, nao to reclamando, até pq a atendente de hoje, que graças aos céus nao era Soraya, fez o trabalho dela. Ela nao foi exatamente simpàtica, mas dava pra ver que ela tinha outras prioridades em mente e que nao envolviam ter que latir pra estrangeiro. O que me deixa p*** nao é nem apenas a constataçao de que a burocracia é uma total arbitrariedade, e que vc depende da pessoa ir com a sua cara ou nao.
O que me deixa p*** mesmo é essa ideologia francesa da neutralidade. Eles realmente acreditam em coisas do tipo "os valores da republica francesa, laica e neutra", e isso é meu c* em chamas. Ok, claro que nao todos, mas hà uma certa adesão geral.

Eh, eu sei que no Brasil nao é melhor, a gente sabe que precisa sorrir e de preferência levar biscoitos pros atendentes. Todo mundo aceita isso tacitamente, e é foda. Mas pelo menos nao existe essa martelaçao na cabeça, "somos neutros, somos laicos". Meu koo.