terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Nas raras vezes em que eu me lembro de passar no meu blog, eu leio os posts e fico espantada com o quanto o meu estado de espirito se assemelha ao de uma velha ranzinza. Olha, eu nao prometo nada, mas eu zuro que vou tentar parar de reclamar.

Soh nao prometo ser jovem, porque eu nao sei ser jovem. Nao sei "curtir com a galera", nao sei "zoar pa'caraleo", nao sei "vida loca meo".

E assim, eu gosto da França com muita moderaçao - mais do que antes, e infinitamente melhor adaptada, mas o "psdb/ pfl" daqui me da vontade de vomitar e a consciência ecologica de boutique dos franceses, idem. Mas talvez o - meu - problema seja muito mais com Paris, pq das vezes em que fui a Toulouse cheguei à conclusao que Toulouse >>>>> Paris.

Ouvindo Bee Gees - How Deep is Your Love? (sim, eu super curto bee gees, e pelo menos nao é a versao do Take That, ok????)

p.s.: hje o youtube me ofereceu dinheiro pra colocar publicidade em um dos meus videos pq ele é populaaaar e eu ri moito. Nem vou tentar pq o video em questao é o trailer de Big Fish, dai assim: olà, direitos autorais, tudo bem? Heh!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

no thank you, I don't wanna pay for this shit

Desde a época da fafich, o Otavio era um dos meus melhores companheiros de procrastinaçao. Porque amigo que é amigo é aquele que faz hora na cantina com vc e que depois faz companhia na madrugada via msn. Hoje o Otavio me mostrou que, mesmo à distância, a solidariedade com os desesperos acadêmicos alheios é uma coisa bonita de deus. Olha, ano passado a gente conseguiu parir uma monografia assim. E hoje parimos um plano B e descobrimos que terminar a vida como andarilhos pelo mundo pode conter muita seriedade. Aquele papo de preferir ser burro a ser muito inteligente - que eu nao vou tentar desenvolver em embromaçoes porque ele é legal demais pra virar clichê - e que é doravante nosso motor ideologico. Mas como eu ia dizendo, vamos começar  pela Romênia - que là estao os ciganos - e depois, como passarinho, a gente muda de hemisfério quando mudarem as estaçoes pra nao passar frio. Que ser gente grande, pagar contas, trabalhar solitariamente, se degladiar contra a burocracia, talvez seja uma vida séria demais pra ser levada a sério.

é, Brasil. Viva a criatividade que transborda.

Ouvindo Regina Spektor - "Chemo Limo"

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

tanta coisa tem mudado

...que, agora sim, eu tenho motivos pra ter dificuldade em escrever. De mudança de empregos a mudança de endereço - minha mala, provavelmente, jah percorreu todas as 14 linhas de metrô de paris, ou pelo menos boa parte delas. Sendo que da ultima vez eu resolvi adicionar à minha carga de tralhas uma cafeteira que eu achei numa feira de objetos usados pelas quais eu passei por acaso, e que custou a ba-ga-te-la de 20 euros (pq ela faz café expresso de tudo-quanto-é-jeito e ainda funciona como "cafeteira" normal!). Nao é todo dia que uma super cafeteira cruza nosso caminho numa feirinha de objetos usados! E, ok, créditos à Livia Torquetti que me ajudou a transportar a cafeteira...
Eu tenho chamado de "agosto" o periodo que vai desde o dia em que eu sai de Compiègne até o dia em que eu resolvi parcialmente minhas questoes de sobrevivência, mas na verdade esse "agosto" vai até maaais ou meeenos o meio de setembro, que foi quando eu resolvi voltar a ser au pair. Muito mais por peso das circunstâncias do que por gosto pela coisa, mas apesar da minha resistência à idéia, ser au pair foi o que se mostrou a melhor soluçao pra conciliar trabalho e estudos. Até resolver isso, eu trabalhei numa sorveteria em Paris e numa "brasserie" (espécie de restaurante). Foi um periodo super bacana de identificaçao com a classe operaria,e se fosse soh pra morar e trabalhar seria o que eu teria escolhido continuar fazendo. Mas dai que a minha carga de estudos é nao apenas pesada como incompetentemente distribuida, e o jeito foi voltar a morar com uma familia.
Eu sempre nutri uma antipatia muito grande pelos "deslumbrados pela França". Primeiro pq qualquer tipo de deslumbramento é babaquice, e segundo pq, estando aqui, a gente corre sempre o risco de ser confundido com eles ou de escutar coisas do tipo "uau, que chique é estar em Paris, né?". Dai eu sempre me senti impelida a repetir que "França de c* é rola" ou "Pau no c* dos franceses", o que fez com que minha antipatia fosse um pouco transferida para a França propriamente dita. Mas com o tempo eu tenho aprendido a relevar esse tipo de coisa - que é culpa de certas pessoas mas nao de todo mundo ou, tampouco, do lugar - e tenho aprendido a aproveitar (e a enxergar) melhor as coisas legais daqui. E eu tenho achado cada vez mais legal estar aqui. Embora a saudade continue cortando (como aço de navalha), essa saudade significa que eu tenho lembranças e memorias, e que, ainda bem, elas nao vão me deixar nunca. E vão me dar sempre vontade de estar do outro lado do mar, onde eu deixei tantas coisas que eu amo.

Ouvindo Stars - Ageless Beauty

quinta-feira, 30 de julho de 2009

parabéns para mim

Embora eu tenha um devir pseudo-hippie um tanto manifesto, eu realmente não sou suficientemente bicho-grilo pra acreditar em astrologia. MAS alguém me explica por quê diabos os dias que antecedem meu aniversario são habitualmente precedidos de acontecimentos karmicos? Se isso não se chama "inferno astral", o que mais é? Estou a um passo de começar a ler horoscopos online, Brasil.

Ouvindo Stars - Ageless Beauty

terça-feira, 21 de julho de 2009

O que mais tem me surpreendido ultimamente é a constatação de duas coisas quase que evidentes.

A primeira é que, estando num ambiente em que ninguém me conhece, eu posso tentar ser qualquer pessoa.

E a segunda, que mudar é extremamente dificil.

Ouvindo Rita Lee - Agora so falta você

quarta-feira, 3 de junho de 2009

a saudade corta como aço de navalha

Eu realmente queria que meus amigos pudessem saber como eu sinto falta deles. As vezes eu imagino que isso não seja explicito, nao soh pq eu definitivamente não tenho talento pra mandar noticias, como pq eu evito me voltar totalmente pro Brasil. Fazer isso faria com que tudo - o de ruim e o de bom - que eu tenho vivido aqui ficasse sem sentido, pq se eu vim foi pra experimentar algo novo e longe das minhas "areas de conforto" (adoro esse termo, haha, primeiro pq o acho engraçado, e depois pq eh exatamente disso que se trata: do que me eh confortavel e familiar, ao passo que aqui muitas coisas sao estranhas e distantes daquilo que eu conheço). As vezes eu não sei se estou conseguindo aprender tudo o que eu devia ou que eu poderia. Isso eh uma resposta em especial pro Ramiro :) . Eu também sei que eh normal que nao se aprenda tudo, mas às vezes eu me sinto incapaz de entender o que mudou ou não em mim ou o que eu aprendi. Eu definitivamente não me sinto a mesma, mas talvez eu saiba menos quem eu sou.
E sobre meus amigos, pq foi disso que eu comecei a falar, acontecem umas coisas engraçadas aqui às vezes. De tanta saudade, eu faço coisas com as pessoas que eu conheci por aqui - brincadeiras, trejeitos ou dizeres - que eu fazia com meus amigos do Brasil. Mas na grande maioria dos casos, quando eu faço isso aqui, fica soh uma coisa meio sem contexto e não eh raro que as pessoas me olhem com um ar de quem pergunta "- q?". Mas eh que eu sinto tanta falta que fazer isso eh como trazer um pedacinho dos meus amigos de volta. Acho que ajuda.

Ouvindo Nara Leão - "Pede passagem"

sexta-feira, 17 de abril de 2009

de volta. ou nao.

Tinha prometido fazer contato nem que fosse por aqui, mas demonstrei mais uma vez que eu sou uma tratante sem vergonha. A verdade é que escrever tem sido dificil, e eu me sinto bastante frustrada com isso. Praqueles que acham que sofrem de algum boicote de minha parte, saibam que é pura falta de capacidade de reunir em algumas - ou muitas - linhas todas as percepçoes, fatos e bizarrices que vem se passando nessa terra estrangeira. Pr'algumas pessoas eu cheguei a mandar um ou outro email, mas no geral fiquei no silêncio mesmo: e isso também em relaçao a mim mesma, uma vez que eu sempre gostei de escrever (nem que fosse em um caderno qualquer) as coisas que se passam comigo, e eu nao fiz isso por aqui sequer uma vez. Como eu repito e acho que jah escrevi tb por aqui, escrever me ajuda a pensar. E sem conseguir escrever, eh como se eu nao conseguisse sintetizar bem tudo o que se passa. E por mais que minha vida nao esteja uma bombaçao ilimitada (pq eh essa a impressao de quem fica em relaçao a quem vai), o proprio fato de estar aqui jah faz com que eu me defronte com milhoes de coisas que deixam minha cabeça a mil. Gringa na terra dos gringos - mas sobre os gringos eu escrevo depois. Por enquanto, basta sentir que eu escrevi algumas linhazinhas.. Espero que isso dure.

Ouvindo as crianças assistindo "corrida maluca" no video-cassete.